Sexta-feira, Outubro 30, 2009

finalmente arrumei o impasse

aqui (neste post do blog «a trama» ) percebo finalmente como me soa o Mário Crespo às vezes.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

quem não costuma sonhar (ou recordar-se) pode fazer um registo que ninguém levará a mal

Sonhei-a mulher idosa, sentada, coberta por uma indumentária escura, um preto desboto quase a clarear cinzento no regaço e no peitilho; chamou-me com os olhos, ou fui eu quem a olhou a responder que ia, não sei bem. Sentei-me na sua frente e ela perguntou-me se eu estava com medo; sem subterfúgios, disse-lhe que sim, um pouco; nas minhas mãos ela começou a traçar-me as linhas, augurou uma surpresa e calou-se, eu quis saber o que calara, ela negou dizer-me mas adiantou que seria boa; eu soube que mentia. Por ter dito que seria uma surpresa e por ter dito que seria boa. Levantei-me e fui à minha vida, notando que nem a pinta ela vira.

Tinham-me tirado sangue; não registei no sonho que mo tivessem tirado, mas estava ali, de pé e um pouco hirta, à espera dos resultados; surgiram num placar digital na parede, números vermelhos em fundo verde fluorescente: 264. Raios! exclamei angustiada, como era possível que os valores do colesterol tivessem subido outra vez e tanto. No placar o número seguinte do cliente seguinte fez-me rir com uma boçalidade de que me envergonharia se estivesse acordada. 380.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

aos meus braços! (e não digo isto a um qualquer desconhecido)

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

só posso dizer que ainda me anima a memória do prazer que foi ler o memorial, o evangelho, o ano da morte do Ricardo Reis...

suponho que o autor deste prefácio veio a este blog por uma daquelas coincidências que muito acontecem na web; só queria cumprimentá-lo pelo texto, pelas ilustrações e, acima de tudo, agradecer-lhe.

à att. do J. Lx e da ACL

do autor supra citado (Luís Alves da Costa), fica o link de um post que, estou certa, vos irá agradar

Terça-feira, Outubro 20, 2009

aposto que iria ser uma das vozes a reclamar pelos ossos para o panteão nacional

Lisboa, 20 Out (Lusa) - O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir "envergonhado" com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia.
No sítio pessoal na Internet, o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), eleito pelo PSD, escreveu hoje que José Saramago "há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa!"
"Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?", questiona o eurodeputado.

ah, se eu não fosse anónima, dizia-lhe de quem eu sinto vergonha de ter como compatriota, seja lá isso o que for...

ao contrário do Saramago, já vi outros ficarem periclitantes com o avançar da idade (ou deverei dizer: com o término da contagem)

Não deixo de achar engraçado perceber que só das minhas relações de rodapé, há alguns seres superiores que já se dedicaram a esse grande livro de ficção que é a bíblia. Em tempos, e por sugestão de um amigo (que faz parte dos citados), eu também quis ler a bíblia; acabei por encontrar um velho exemplar com a lombada fixa por fita adesiva hospitalar dentro de uma arrastadeira que estava, entre outros objectos, guardado numa caixa de madeira numa arrecadação em casa da minha mãe; tanto quanto era dado saber à minha mãe aquele livro teria sido adquirido pela minha bisavó e dentro dele encontrei notas e recibos de despesas correntes, recortes de desenhos e textos com sublinhados e, ainda, algumas fotos. Foi com alguma curiosidade que li (em português antigo) uma ou outra página (das aconselhadas) mas depressa arrumei o assunto -deixando por cumprir a tarefa a que me propusera de compilar passagens mais esfusiantes com comentários espirituosos. Está agora a bíblia encostada ao «o inferno» da Divina Comédia de Dante; logo a seguir, já lido e lembrado com agrado, Margarita e o Mestre de Mikhail Bulgakov, onde encontrei um vistoso artificio bem mais fácil de seguir no estampido e colorido.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

disseram-me que já está no estaleiro, sem matrícula...

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

daqui a 4 anos tu vais ver, disse-lhe, e ele respondeu-me que não sabia se ia ver porque não sabia se ia cá estar

De cada vez que entra numa sala de espera (hospital, clínica, centro de saúde, já que noutras salas de espera tornou-se raro ele entrar) e cumprimenta quem está com um bom dia ou boa tarde (boa noite, é mais raro, a última vez que aconteceu entrar de noite, estava com uma pancreatite e as fortes dores e os vómitos neutralizaram-lhe a cordialidade) o meu pai parece ficar indignado por ninguém lhe responder e não deixa de comentar em reparo que as pessoas estão a ficar todas surdas; e, de facto, da mesma forma que não retorquem o cumprimento, não se deixam animar com o reparo.

Primeiro eu ficava apreensiva, as pessoas não o ouviam porque a voz dele não era a de outrora, no peito a cava do seu garbo era agora maior, a perna lenta, sempre em atraso, enviesava-lhe o passo, e o braço pendia-lhe inútil, um papo mole a ganhar líquidos e a perder músculo; Depois eu comecei a ouvi-lo (era eu, claro) insistindo no bom-dia ou boa tarde, apesar das pessoas estarem cada vez mais a ficar surdas.
Agora, quando me inclino no lavatório a escovar os dentes e no meu peito se recolhe a cava do meu garbo, observo, na imagem do espelho, as omoplatas do meu pai que despontam nas minhas costas curvadas, e sem ver sei que a nuca é, igualmente, uma réplica da dele; uma nuca bonita.

PRAZERES (rubrica semanal)

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