Sexta-feira, Novembro 13, 2009

para os que amamos pedimos uma sombra

No rosto cerrado por um olhar duro havia uma ordem explícita para que eu entrasse com rapidez no carro e abandonasse o lugar; contrariando, fiquei parada remexendo na mochila e, já trocista, dei uns passos como se o carro que eu fosse abrir estivesse muito para lá do lugar onde me encontrava. O homem desistiu daquele lugar, estacionou uns metros à frente e fez sinal a alguém (noutro carro) para que avançasse; então eu abri a porta e entrei. Enquanto as velas aqueciam, vi um ventre redondo a avançar para mim e um rosto de pêra e bigode já com muitos brancos eriçados pelo meio de arruivados encostou-se à janela para me pedir que esperasse um instante; a filha, disse-me ele, precisava daquela sombra por causa do bebé. Esperei enquanto ele atravessava as ruas do parque procurando o carro da filha (que avançara), ouvi-o a chamar por ela, vi-o em esbracejo, deixei de o ver, até que, algum tempo depois, se aproximou de novo para me mandar sair com um agradecimento. A antipatia que eu sentira pelo homem (e a chatice da espera quando já estava atrasada) deu lugar à complacência e, antes de arrancar, desejei-lhe boa sorte, sem saber ao certo se o destino deles era a urgência pediátrica.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

finalmente arrumei o impasse

aqui (neste post do blog «a trama» ) percebo finalmente como me soa o Mário Crespo às vezes.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

quem não costuma sonhar (ou recordar-se) pode fazer um registo que ninguém levará a mal

Sonhei-a mulher idosa, sentada, coberta por uma indumentária escura, um preto desboto quase a clarear cinzento no regaço e no peitilho; chamou-me com os olhos, ou fui eu quem a olhou a responder que ia, não sei bem. Sentei-me na sua frente e ela perguntou-me se eu estava com medo; sem subterfúgios, disse-lhe que sim, um pouco; nas minhas mãos ela começou a traçar-me as linhas, augurou uma surpresa e calou-se, eu quis saber o que calara, ela negou dizer-me mas adiantou que seria boa; eu soube que mentia. Por ter dito que seria uma surpresa e por ter dito que seria boa. Levantei-me e fui à minha vida, notando que nem a pinta ela vira.

Tinham-me tirado sangue; não registei no sonho que mo tivessem tirado, mas estava ali, de pé e um pouco hirta, à espera dos resultados; surgiram num placar digital na parede, números vermelhos em fundo verde fluorescente: 264. Raios! exclamei angustiada, como era possível que os valores do colesterol tivessem subido outra vez e tanto. No placar o número seguinte do cliente seguinte fez-me rir com uma boçalidade de que me envergonharia se estivesse acordada. 380.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

aos meus braços! (e não digo isto a um qualquer desconhecido)

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

só posso dizer que ainda me anima a memória do prazer que foi ler o memorial, o evangelho, o ano da morte do Ricardo Reis...

suponho que o autor deste prefácio veio a este blog por uma daquelas coincidências que muito acontecem na web; só queria cumprimentá-lo pelo texto, pelas ilustrações e, acima de tudo, agradecer-lhe.

à att. do J. Lx e da ACL

do autor supra citado (Luís Alves da Costa), fica o link de um post que, estou certa, vos irá agradar

Terça-feira, Outubro 20, 2009

aposto que iria ser uma das vozes a reclamar pelos ossos para o panteão nacional

Lisboa, 20 Out (Lusa) - O eurodeputado social-democrata Mário David exortou hoje o escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa por se sentir "envergonhado" com as recentes declarações do Nobel da Literatura sobre a Bíblia.
No sítio pessoal na Internet, o vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), eleito pelo PSD, escreveu hoje que José Saramago "há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa!"
"Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?", questiona o eurodeputado.

ah, se eu não fosse anónima, dizia-lhe de quem eu sinto vergonha de ter como compatriota, seja lá isso o que for...

ao contrário do Saramago, já vi outros ficarem periclitantes com o avançar da idade (ou deverei dizer: com o término da contagem)

Não deixo de achar engraçado perceber que só das minhas relações de rodapé, há alguns seres superiores que já se dedicaram a esse grande livro de ficção que é a bíblia. Em tempos, e por sugestão de um amigo (que faz parte dos citados), eu também quis ler a bíblia; acabei por encontrar um velho exemplar com a lombada fixa por fita adesiva hospitalar dentro de uma arrastadeira que estava, entre outros objectos, guardado numa caixa de madeira numa arrecadação em casa da minha mãe; tanto quanto era dado saber à minha mãe aquele livro teria sido adquirido pela minha bisavó e dentro dele encontrei notas e recibos de despesas correntes, recortes de desenhos e textos com sublinhados e, ainda, algumas fotos. Foi com alguma curiosidade que li (em português antigo) uma ou outra página (das aconselhadas) mas depressa arrumei o assunto -deixando por cumprir a tarefa a que me propusera de compilar passagens mais esfusiantes com comentários espirituosos. Está agora a bíblia encostada ao «o inferno» da Divina Comédia de Dante; logo a seguir, já lido e lembrado com agrado, Margarita e o Mestre de Mikhail Bulgakov, onde encontrei um vistoso artificio bem mais fácil de seguir no estampido e colorido.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

disseram-me que já está no estaleiro, sem matrícula...

PRAZERES (rubrica semanal)

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